Home office: solução ou problema?

- Imprensa -

O uso do home office ganhou projeção nos últimos meses devido a sua utilidade na prevenção ao contágio da Covid-19.

A manutenção permanente deste sistema remoto de trabalho pode, no entanto, se tornar um problema para empresas e funcionários.

A advertência é de Reinaldo Nogueira, professor dos programas de MBA da ESPM e reconhecido especialista em Transformação Humana, Estratégica e Digital.

Segundo ele, o home office compromete a interação social e coloca em jogo a qualidade da comunicação e o decorrente fortalecimento da cultura organizacional.

“Quando a interação social é falha, há uma reação em cadeia que produz efeitos como perda de propósito e alinhamento com a liderança”, observa.

Nogueira acredita que parte da atratividade gerada pelo home office tem a ver com redução de custo. Mas ressalta tratar-se de uma relação equivocada.

“É uma visão de curto prazo que pode afetar valores estruturantes do negócio. Viradas radicais são riscos ao desenvolvimento e à perenidade do negócio”, afirma.

De acordo com o professor, o home office é um caminho para fortalecer sistemas multidisciplinares de trabalho. Acrescenta que os movimentos disruptivos vieram para ficar, mas devem ser interpretados com cuidado.

“A ruptura pode quebrar uma cultura baseada em hábitos e comportamentos. Romper com a cultura obriga qualquer organização a construir um novo percurso, que exigirá mais energia e exposição a riscos. Vai dar errado? Não sabemos. Mas talvez muitas empresas não estejam preparadas”, avalia.

O professor destaca que as pessoas precisam do olho no olho. “As tecnologias estão aqui para nos ajudar, mas para que isso funcione é preciso criar o ambiente ideal. Conheço empresas que estão indo bem porque aprenderam a gerenciar as pontas, isto é, estabelecer um poder descentralizado que dá autonomia de decisão às estruturas regionais, dentro do que chamamos de modelos ágeis de gestão”, explica.

Ressalva, contudo, a necessidade de a adaptação ser precedida da montagem de grupos de trabalho que, de forma presencial, planejam e depois executam por meio de times autogerenciáveis nas pontas. “Mas a dinâmica presencial é indispensável”.

Com passagens por empresas globais que testaram o modelo 100% remoto, Nogueira lembra que muitas experiências foram frustrantes. “Mesmo as organizações com DNA digital perceberam a necessidade de uma interação mais consistente, que assegure a integridade da comunicação como alavanca dos processos”.

E acrescenta: “Empresas que tentaram adotar o padrão 100% remoto passaram por problemas, mas essas mesmas empresas readaptaram seu discurso para um modelo híbrido entre presencial e distância, o que produz bem em favor de todos por meio da interação social, baseada no presencial, e da tecnologia, apoiada no digital”.

Reinaldo Nogueira é mestre em Engenharia com ênfase em Tecnologia da Informação, além de graduado em Administração e pós-graduado nas áreas de Gestão de Projetos e Governança Corporativa. No semento de estratégia digital, atuou em empresas como Oracle Corporation, PePsico Group e Grupo Abril. Atualmente é executivo da Projeto TI 360, empresa com foco em Estratégia Digital, Tecnologia e Projetos Ágeis.

 

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